quarta-feira, 24 de junho de 2015

É melhor ir a casa onde há luto?Como assim?


Melhor é ir a casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração. (Eclesiastes 7:2)

A pergunta é: Como que é melhor ir a casa onde há luto? É meio doloroso tudo isso, mas ao receber a notícia da morte do jovem cantor e da sua namorada, pude compreender exatamente essa palavra. O momento do luto é um momento triste, porém um momento dedicado a reflexões acerca do que é verdadeiramente à nossa vida e principalmente a importância das nossas escolhas.
É no momento do luto que percebemos que a vida tem começo e fim, e como somos totalmente impotentes diante dela. Passamos grande parte dos nossos dias tentando controlar, manipular as pessoas e as coisas. Podemos manipular a vida, mas não conseguimos manipular a morte.

O Brasil chora a morte de um cantor, mas isso vai passar. Logo novos talentos surgirão e o Cristiano Araújo pouco a pouco sumirá da lembrança de todos. Mas o filho, o irmão, o amigo, o sobrinho de 29 anos será esquecido? A Alanna namorada do cantor famoso, logo será esquecida, mas será que a filha, a amiga, a irmã, a neta, de 19 anos será esquecida? O Brasil perde um cantor, mas dois corpos familiares perdem um membro.

De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.(1 Coríntios 12:26)

Essas famílias perdem um pedaço do seu corpo e nunca mais serão as mesmas. Tudo isso é muito triste. Imagine braços sem mãos, pernas sem pés e vice-versa? Pertencemos a um corpo que nos ama e depende de nós para estar completo.

Olhar para o luto dessas famílias me faz refletir o quão incapazes somos diante da morte e como a nossa família é importante. Infelizmente a correria do dia a dia pelo sucesso profissional e também pessoal nos deixam impossibilitados de perceber que o mais importante, nós já temos. A correria, muitas vezes nos faz colocar à nossa vida em risco, sem ao menos calcularmos. Faz-nos entregar a nossa vida nas mãos de pessoas que muitas vezes nem conhecemos. Faz-nos esquecer do que é verdadeiramente importante.

 A vida do Cristiano e de sua namorada estavam totalmente nas mãos de um "desconhecido", apenas de um motorista. Quantas vezes fazemos isso? Quantas vezes colocamos as nossas decisões nas mãos de pessoas que infelizmente não podem ajudar muito? Quantas vezes descansamos e deixamos que as pessoas escolham por nós? Quantas vezes dormimos certos de que ao acordarmos estaremos no lugar que almejamos estar?
Podemos trabalhar, correr, fazer escolhas, mas se quisermos chegar ao nosso destino, precisaremos mais que um especialista para nos conduzir. Especialistas também falham. Se quisermos chegar ao nosso destino precisamos entregar a direção das nossas vidas àquele que tem o poder de nos manter vivos, para que continuemos correndo atrás dos nossos sonhos.
“O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela.” (1 Samuel 2:6)

Meus sentimentos aos familiares destes dois jovens. Que o bom Deus possa consolar o coração de vocês. Sei que em muitas das conversas surgirão: Se ele tivesse feito isso, se tivesse agido de determinada forma, se não tivesse ido... No entanto, sabemos que toda morte tem uma causa, e sempre vem acompanhada de uma desculpa, mas na verdade, todos nós temos um tempo determinado por Deus para permanecer nesta terra, e a nossa passagem neste mundo com certeza tem um propósito específico. De maneiras diferentes, tenho convicção de que Cristiano e Allana brilharam e iluminaram vidas, desde o nascimento até à partida.

Que possamos não só em momentos de luto, mas todo o tempo, meditarmos sobre esse negócio chamado VIDA, que muitas vezes só é valorizada após a perda.
Que o Senhor: “Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.” (Salmos 90:12)
 
Mônica Bastos

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